Volvo testa caminhões autônomos em canaviais brasileiros

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Volvo testa caminhões autônomos em canaviais brasileiros
A Volvo quer ser uma das empresas líderes em direção autônoma para veículos comerciais e dá passos consistentes para alcançar o objetivo. Desde junho um caminhão da companhia equipado com a tecnologia roda na operação da mineradora sueca Boliden, especializada na extração de minérios como zinco, bronze, alumínio e ouro. O veículo trabalha dentro da mina de Kristineberg, no norte da Suécia, e leva carga de 25 toneladas de pedras. Nos próximos meses, com o amadurecimento dos testes, o veículo será efetivamente integrado à operação e transportará o material escavado.
O modelo usado no programa que coloca o caminhão autônomo em aplicação real é o FMX adaptado. O caminhão fora de estrada voltado a aplicações pesadas ganhou 6 sensores Lidar, tecnologia de precisão milimétrica que calcula distâncias e mapeia ambientes a partir de pulsos de luz. No futuro devem ser integradas câmeras também. A intervenção humana direta só é necessária para ligar e desligar o veículo. O resto é feito pelo sistema.
De fora da mina, a equipe define por computador uma missão, com a rota e as paradas que o caminhão deve fazer. Lá dentro o veículo cumpre a programação mesmo no escuro dos túneis abaixo do solo, reconhece o espaço e a sua localização no mapa, detecta as paredes irregulares da mina, percebe obstáculos e faz manobras para mudar de direção. Tudo é exibido em uma tela instalada na cabine.
No teste feito com a reportagem a bordo, o FMX autônomo circulou por cerca de 10 minutos. Um engenheiro fica no posto de motorista, apesar de não tocar na direção ou nos pedais de freio e acelerador. A ideia é monitorar a operação nesta fase de desenvolvimento. No futuro, no entanto, tirar o motorista dali é justamente um dos objetivos do programa. “É um trabalho desgastante que não deve ser feito por pessoas, mas por máquinas. Vamos deslocar esses trabalhadores para outras posições na operação”, diz Peter Burman, que lidera o programa de automação das minas da Boliden.
A mina de Kristineberg é uma das cinco operadas pela empresa, com 45 quilômetros de vias internas e profundidade que chega a 1,3 mil metros. A mineradora é referência quando o assunto é tecnologia na área e já tocava projeto próprio de automação antes mesmo da cooperação com a Volvo. A unidade de Kristineberg é uma das únicas no mundo a contar com wifi, recurso essencial para o caminhão se deslocar lá dentro, já que não há sinal de GPS. Este foi um dos aspectos que pesaram a favor do local para o teste do caminhão. “Teríamos de investir nessa estrutura se a mina não tivesse”, conta Christian Grante, especialista técnico em automação da Volvo envolvido no projeto.
Mineração autônoma é mais rentável

O programa é uma parceria entre a Volvo, a mineradora e universidades da região. As organizações investem conjuntamente na iniciativa, mas não revelam o valor. A montadora confirma apenas que a área de veículos autônomos recebe “parte significativa” do aporte de US$ 1,8 bilhão aplicado anualmente em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Encontrar os parceiros certos parece ser o caminho mais adequado para a Volvo experimentar suas novas tecnologias.
“Em operação fechada não temos de obedecer a legislação viária que exige que um motorista dirija o veículo. Temos flexibilidade e melhor controle para experimentar”, diz Hayder Wokil, diretor de automação da Volvo. Por outro lado, o projeto também é positivo para a Boliden, que investe em tecnologias do gênero há quatro anos e mantém um pé na mineração e outro no mundo digital. “Historicamente nosso setor aplica pouco em P&D, em torno de 0,2% do faturamento. Estamos mudando isso. Não investimos tanto quanto empresas do setor automotivo, mas estamos integrando estas tecnologias na mina”, observa Burman.
Segundo ele, além de driblar o risco de acidentes e custos trabalhistas crescentes, os testes mostram oportunidades que fazem brilhar os olhos: aumento da produtividade em 50% e redução da mesma proporção nos custos do transporte. “Sem intervalos para almoço, mantemos fluxo constante de trabalho”, diz. A ideia é implementar amplamente os caminhões autônomos nas minas nos próximos anos. Na primeira etapa, a condução sem motorista será usada apenas dentro da empresa e das minas. A Volvo estima que somente em cinco a 10 anos os caminhões totalmente autônomos serão realidade nas vias públicas.
A Boliden aposta na automação não só como forma de melhorar sua produção, mas também como oportunidade de trazer uma nova fonte de receitas e divisão de negócios. “Com máquinas e caminhões autônomos, além de drones, teremos mapeamento total das minas e operações. Poderemos criar um banco de dados de mineração e vender essas informações”, conta. O programa em parceria com a Boliden já prevê a entrada em operação de mais três caminhões autônomos a partir de 2017.
Testes no Brasil já estão em curso
Com oito centros de P&D no mundo, a Volvo conduz projetos similares ao feito na Boliden em diversas regiões, incluindo o Brasil. “Temos um projeto no Brasil em parceria com uma usina de cana-de-açúcar, que testa a tecnologia em sua operação”, admite Torbjörn Holmström, vice-presidente responsável pela área de tecnologia no Grupo Volvo. A companhia, no entanto, não revela detalhes do programa nacional de pesquisa, que acontece desde o começo do ano e deve ser divulgado em breve.
Em paralelo, a Volvo trabalha no relacionamento com os governos para regulamentar os veículos sem motorista em vias públicas. “Os automóveis autônomos são importantes para que o público conheça e aceite a tecnologia, mas os caminhões são ferramenta de trabalho, trazem benefícios maiores”, avalia Wokil, da Volvo.
Fonte: Automotive Business
 
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