>
O Brasil foi pioneiro no uso do etanol como combustível para o setor automotivo. Primeiro, na mistura na gasolina e no diesel, depois no motor projetado para uso do álcool e, por fim, no lançamento dos veículos Flex, hoje dominado a indústria mundial.
 
No governo do presidente João Figueiredo, criou- se formidável parque produtor, nas usinas de açúcar e nas destilarias voltadas para o álcool. Em seguir, como que por idiossincrasia política, o álcool foi sendo abandonado, deixou de ser incentivado e ficou praticamente restrito à mistura, que tem efeitos ambientais altamente positivos.
 
Há dez anos, retomou-se o investimento, a produção aumentou, mas não o suficiente para o consumo que cresceu com maior velocidade. O álcool, com preço contido pelo controle da gasolina, sofreu com o ato mais perverso do que os prejuízos da Petrobras nas suas contas. Fez encerrar ou suspender as atividades de mais de 50 usinas e destilarias, especialmente no sudeste de alta produtividade.
 
Nos últimos anos, e muita gente não sabe, o Brasil passou de exportador a importador deetanol, em grandes quantidades, especialmente dos EUA, produto derivado do milho. Assim perdemos empregos, divisas preciosas, independência e possibilidade de colocarmos nossa produção nos mercados internacionais com vistas à economia e ao atendimento ambiental. O programa do biodiesel está atrasado e, além da importância econômica, tem grande sentido social, no emprego e no desenvolvimento de regiões menos favorecidas de nosso país. As medidas recentemente anunciadas são positivas, mas desde que a atividade seja atraente ao empreendedor, lucrativa, o que só pode ser possível com melhores preços, realistas, e em linha com a cotação internacional. A resposta na área pode ser rápida pela diversidade de culturas que envolvem.
 
No mais, a política de incentivos à indústria automotiva congestiona as cidades, e os preços atraentes dos combustíveis estimula o consumo, pesando nas contas públicas e na qualidade ambiental de nossas cidades. E é por isso que impressiona a passividade com que se assiste ao desnecessário desmonte de um segmento em que o Brasil foi pioneiro e, com o tempo, foi perdendo oportunidades de se impor numa nova e promissora área. Os empresários do setor são respeitados , nacionais como grandes multinacionais.
Aristóteles Drummond
 
  • Imprima
    esse Conteúdo
  • Envie para
    um amigo
  • Compartilhar
    o conteúdo
  •  
  •  
  •  
  •  
  •