Nova levedura promove fermentação eficiente do caldo de cana

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Nova levedura promove fermentação eficiente do caldo de cana
Fonte da imagem: jornaldehoje.com.br
A próxima safra de cana-de-açúcar marca o fim - enfim! - das queimadas para colheita em quase todo o estado de São Paulo.
Em números arredondados, isso quer dizer 5,5 milhões de hectares de cana colhida cruazinha em 2015: sem fuligem, sem fumaça e, sobretudo, sem emitir mais de 20 milhões de toneladas de carbono!
Ainda vai sobrar um porcentual pequeno, correspondente às áreas não mecanizáveis, ou seja, com declives acentuados e em terrenos irregulares.
Essas serão utilizadas para outras culturas e também estarão livres do fogo até 2017, conforme reza o Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético, acordado em 2007 entre a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Única) e as secretarias estaduais de Meio Ambiente e Agricultura e Abastecimento.
Mas a boa notícia tem seu porém: se no ambiente externo tudo fica mais limpo, dentro das usinas, a cana crua chega com mais resíduos de palha, folhas e solo, antes eliminados no campo.
E a fermentação dos açúcares dessa cana torna-se menos eficiente.
"As impurezas vegetais e minerais que vêm junto com a cana são prejudiciais à fermentação. Há uma mudança na composição do caldo de cana, do mosto de cana, afetando a estabilidade das leveduras, o que pode colocar em risco o rendimento da indústria sucroalcooleira", explica Mário Lúcio Lopes, diretor científico da Fermentec, de Piracicaba (SP).
"Precisávamos de uma levedura mais robusta e competitiva, para não deixar os microrganismos contaminantes - bactérias ou leveduras indesejadas - tomarem conta da fermentação".
Assim, com recursos do Programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (PIPE/Fapesp), a equipe de Lopes selecionou novas cepas de uma velha conhecida dos usineiros: a levedura industrial PE2.
Originalmente obtida na área da Usina da Pedra, em Serrana (SP), nos anos 1990, a PE2 é da espécie Saccharomyces cerevisiae, hoje considerada cosmopolita, isto é, de ocorrência natural em todos os continentes.
O papel dessa nova cepa de S. cerevisiae é colonizar os tanques de fermentação de modo uniforme, para impedir as várias cepas selvagens nativas - eventualmente trazidas com os resíduos - de atrapalhar o processo industrial.
E, uma vez instalada, ela promove a fermentação adequada e eficiente do caldo de cana, que então se transforma em açúcar ou etanol.
Empresa de tecnologia industrial, a Fermentec presta serviços e estuda soluções, mas não vende produtos.
Portanto, a nova levedura - apelidada com o nome comercial Fermel - agora deve ser multiplicada por fabricantes de leveduras industriais e disponibilizada no mercado para a próxima safra, a da colheita sem queimadas.
É bom lembrar que as usinas paulistas moem milhões de toneladas de cana por ano e precisam de muitas toneladas de levedura industrial.
Em geral, no início de cada safra, elas compram de 100 a 1.500 quilos do produto novo, livre de contaminantes, e em uma semana geram as 200 a 500 toneladas necessárias para começar o processo.
Ao longo da safra, a reciclagem de levedura industrial se repete diversas vezes, chegando ao final com certo nível de contaminação e menos eficiência no processamento da cana.
Então, ao final da safra, o resto é transformado em ração animal e a usina se mantém limpa nos quatro meses de entressafra para iniciar o ano seguinte descontaminada.
E pensar que um ser tão pequeno, parecendo um balãozinho microscópico, pode fazer uma diferença tão grande na transformação da cana que vai parar em nossa mesa ou no tanques dos nossos veículos!
Liana JohnFonte: Planeta Sustentável
 
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