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A empresa também processou, no total, 15,6 milhões de toneladas de cana, incremento de 21% na comparação com a temporada anterior
 
O grupo sucroalcooleiro São Martinho informou ontem que registrou lucro líquido de R$ 6,428 milhões no quarto trimestre do ano-safra 2013/14, encerrado em 31 de março. Em relação ao mesmo intervalo do ciclo anterior (2012/13), houve uma retração de quase 50%.
 
O resultado foi afetado principalmente pela cisão da Agro Pecuária Boa Vista, que pertence à usina Santa Cruz, empresa na qual a São Martinho detém 92,14% de participação desde maio. Segundo Felipe Vicchiato, diretor de relações institucionais da São Martinho, essa cisão teve um efeito “não caixa” de mais de R$ 8 milhões. “Se não fosse por isso, nosso lucro líquido teria sido praticamente igual ao do quarto trimestre da safra passada”, afirmou o executivo.
 
No último trimestre da temporada 2013/14, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado pelo valor dos ativos biológicos (canaviais) da São Martinho foi de R$ 157,506 milhões, alta de 2,1% sobre igual período da safra 2012/13. Na mesma base de comparação, a margem Ebitda do grupo São Martinho diminuiu 2,1 pontos percentuais, para 33,7%.
 
Segundo Vicchiato, esse recuo verificado pela companhia, que vinha registrando margens próximas de 40% ao longo de 2013/14, reflete os custos da cana que sobrou e não foi moída pelas usinas do grupo no período – a chamada “cana bisada”. O executivo estima que 1,4 milhão de toneladas de cana deixaram de ser processadas em 2013/14, o que resultou em um impacto negativo de R$ 13 milhões no quarto trimestre.
 
No trimestre encerrado em 31 de março, a receita líquida do grupo sucroalcooleiro totalizou R$ 438,123 milhões, um crescimento de 8,5% sobre os R$ 403,813 milhões registrados no mesmo intervalo da safra anterior.
 
No acumulado da safra 2013/14, o resultado da São Martinho foi positivo. A empresa teve um lucro líquido recorde de R$ 135,001 milhões, 85,1% maior que o de 2012/13. A São Martinho também processou, no total, 15,6 milhões de toneladas de cana, incremento de 21% na comparação com a temporada anterior.
 
Na mesma base de comparação, o Ebitda ajustado da São Martinho cresceu 17,9%, passando de R$ 650,102 milhões a R$ 766,601 milhões. Já a margem Ebitda teve leve queda de 0,8 ponto percentual, para 38,9%. Na safra 2013/14, a receita líquida da São Martinho atingiu R$ 1,971 bilhão, incremento de 20,5% ante o R$ 1,635 bilhão visto no acumulado da safra 2012/13.
 
Em 31 de março deste ano, a dívida líquida da São Martinho somava R$ 1,589 bilhão, 8,4% mais que um ano antes. O índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) ficou em 2,025 vezes, ante 2,20 vezes no fim de março de 2013.
 
Conforme Fábio Venturelli, presidente da São Martinho, a cana que deixou de ser processada pela São Martinho em 2013/14 (cerca de 1,4 milhão de toneladas) deverá neutralizar os reflexos negativos da forte seca no Centro-Sul neste ano. Se a estratégia elevou custos no quarto trimestre de 2013/14, garantiu a oferta na atual safra, quando muitas usinas sofrerão com o impacto da quebra provocada pela estiagem.
 
Ao todo, a São Martinho prevê processar 19,6 milhões de toneladas de cana na safra 2014/15, o que representa um aumento de 26% ante as 15,6 milhões de toneladas de cana processadas na temporada passada.
 
A maior parte desse avanço não é “orgânico”, uma vez que a São Martinho ampliou sua área de canaviais por meio do aumento de sua participação na usina Santa Cruz – que em maio passou de 36,09% para 92% e agregou 3 milhões de toneladas ao volume estimado pela companhia.
 
Também contribui para esse esperado aumento no processamento o canavial comprado da concorrente Biosev em 2012. Na safra 2013/14, a São Martinho ficou com 50% dessa cana. Agora, a empresa já adequou sua capacidade industrial para processar 100% da matéria-prima. Com isso, a São Martinho elevará em mais 1 milhão de toneladas sua moagem.
 
Caso consiga moer as 19,6 milhões de toneladas de cana previstas na safra 2014/15, a São Martinho ficará muito próxima de sua plena capacidade de moagem, de 20 milhões de toneladas por safra.
 
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