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 O investimento na agricultura, sobretudo para inovação, pode ser um negócio de alta rentabilidade económica, social e ambiental. A afirmação foi feita pelo diretor-geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Víctor M. Villalobos, durante a Conferência de Montreal, evento organizado pelo Fórum Econômico Internacional das Américas e do qual participaram empresários e líderes políticos da região entre 09 e 12 de junho.
 
O IICA, como organismo do Sistema Interamericano especializado em agricultura, foi convidado a participar do encontro para expor porque a inovação é fundamental e quais são os atores chave para potencializar o setor. Villalobos avaliou ainda que a região tem potencial para ser uma solução para o problema da alimentação global, porém “seu setor agroalimentar exige grandes transformações para alcançar este objetivo”.
 
“Considero que existem três tipos de inovação que causam maior impacto para que a agricultura seja mais produtiva, competitiva e sustentável: a tecnológica, a institucional e a social”, expressou o diretor-geral do IICA na conferência.
 
Crescimento populacional desafia a agricultura
A agricultura deve aumentar a produtividade em pelo menos 70% para satisfazer as necessidades dos 9 bilhões de habitantes que o planeta deverá ter em 2050. Além de alimentos, o setor é chamado a produzir matéria-prima para outros indústrias. Contudo, nas Américas, o crescimento da produção agrícola está limitado por gaps de produtividade entre os países, pela área disponível para novos cultivos, a competição pela água com outros setores, os efeitos da variação climática, a volatilidade e o aumento dos preços dos serviços e insumos necessários para produzir, apontou.
 
“Para impulsionar processos de mudanças, há que se ter uma visão integral e de caráter estratégico, o que de maneira prática deveria se traduzir na construção de políticas nacionais de inovação. A inovação é o motor que nos permitirá construir um futuro melhor para a agricultura e a segurança alimentar, e o investimento é o seu combustível”, comparou. O diretor-geral do IICA apontou ainda que é crucial que os investimentos na agricultura inovem para que o setor de adapte e contribua para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, potencialize a produção de pequena e média escala, produza alimentos mais nutritivos, reduza as perdas de alimentos e forme mais recursos humanos para o agro.
 
Setor privado é fundamental
Villalobos também apontou que, para aumentar o investimento em Inovação e Desenvolvimento (I+D) nos países de média e baixa receita, que são os mais dependentes da agricultura, o setor privado é fundamental. “Se requer investimentos públicos e privados no capital natural, físico e humano, que têm papeis complementares no processo de produção agrícola. Porém, o investimento nacional é insuficiente e é necessário atrair, para a América Latina e o Caribe, investimentos estrangeiros diretos”, manifestou.
 
A atração deste recursos pode ser viabilizada pelos governos mediante marcos regulatórios claros e sem obstáculos, sistema educativos sólidos e incentivos à I+D que estabeleçam vínculos efetivos entre os criadores e os usuários do conhecimento. “Os organismo de cooperação técnica, como o IICA, podem colaborar para melhorar a institucionalidade da inovação e sua articulação com as necessidades dos produtores, assim como propor alternativas para o destinos dos investimentos”, considerou Villalobos em sua apresentação.
 
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