Embalagem de bagaço de cana surge como alternativa para o transporte de alimentos

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Embalagem de bagaço de cana surge como alternativa para o transporte de alimentos
Segundo a União da Indústria de cana-de-açúcar (Unica), na safra 2013/2014 o Brasil produziu 653.444 milhões de toneladas de cana. Cada tonelada gera em média 140 kg de bagaço. De olho no potencial desse resíduo, profissionais da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP de Pirassununga criaram embalagens para frutas, bebidas e hortaliças feitas a partir de painéis de bagaço de cana.
A iniciativa está sendo coordenada pelo professor Juliano Fiorelli e conta com a participação de alunos do Laboratório de Construções Rurais e Ambiência e do Laboratório de Tecnologia de Embalagens da FZEA. De acordo com Fiorelli, apesar de ser aproveitado para a produção de energia por combustão, o bagaço de cana está disponível em grandes quantidades na região, o que estimulou o grupo a desenvolver as ecoembalagens.
O processo de transformação da matéria prima em caixas é feito da seguinte forma: primeiro, o bagaço de cana passa por uma secagem e é colocado em estufas para ser peneirado. Após serem removidas as partículas de menor tamanho, é feita a moagem do bagaço. A esse material se adiciona uma resina a base de óleo de mamona. A resina aglomera as partículas e forma uma mistura que, ao ser colocada em moldes, permite a confecção de painéis. Dos painéis de bagaço de cana são feitas as embalagens para o transporte de alimentos e bebidas.
Fiorelli explica que a remoção de partículas com tamanho inferior a 8 mm é necessária para facilitar a dispersão do adesivo, no caso, a resina poliuretana à base de óleo de mamona. Segundo ele, a resina foi escolhida por seu caráter natural e porque não libera formol durante sua produção.
Até o momento, a equipe criou modelos de embalagens para o transporte de garrafas, frutas médias e frutas pequenas. As caixas menores são ideais para transportar morangos e uvas e têm o diferencial de serem desmontáveis. “O objetivo é facilitar o retorno das embalagens vazias e diminuir o espaço ocupado por elas em veículos de carga.” Fiorelli afirma que também está nos planos do grupo criar paletes a partir dos painéis de bagaço de cana.
Sobre a resistência do material, o professor diz que já foram realizados testes mecânicos que comprovam a eficiência das caixas no transporte de frutas e hortaliças. “Mas é bom frisar que sua resistência é baixa quanto à exposição à chuva. E, por isso, estamos buscando alternativas para impermeabilizar os painéis.” A perspectiva é de que dentro de oito meses os pesquisadores caminhem para a produção industrial, com a busca de parceiros e o lançamento da tecnologia no mercado.
Papel semente e caneta biodegradável
Outras iniciativas ilustram a preocupação crescente com a geração de resíduos e a sustentabilidade. A Papel Semente, por exemplo, fabrica cartões, convites, crachás e envelopes que podem ser plantados após o uso. Andrea Carvalho, fundadora da empresa sediada no Rio de Janeiro, afirma que é só picar o papel, tomando o devido cuidado para não danificar as sementes, e depositá-lo na terra.
"Você pode até umedecer o papel antes e colocar um pouquinho de terra por cima. Daí é só continuar regando o local por 20 dias. Hoje, oferecemos papel semente de agrião, manjericão, papoula, rúcula, salsinha entre outros. E a garantia de germinação é de 90%", diz Andrea. A empresa ainda trabalha com cooperativas de catadores, que recolhem o papel e o papelão utilizados para fabricar o material reciclado que carrega as sementes.
Arnaldo Di Giuseppe, diretor da Ekobio, também investe em práticas sustentáveis. Antes de fundar a empresa, ele trabalhava com canetas pláticas e acompanhou a decadência do mercado com a entrada de produtos chineses no Brasil. Segundo ele, hoje, dois modelos de caneta da marca são biodegradáveis. "Produzimos essas canetas com uma resina extraída do amido do milho. E quando elas são descartadas, em condições ideais de umidade e calor, se decompõe em apenas seis meses." No caso de canetas de plástico, a decomposição pode levar até 400 anos. "No início, eu não sabia se a ideia daria certo ou não, mas resolvi arriscar. E tivemos sucesso."

Marina Salles
Fonte: Globo Rural
 
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