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Até o fim do ano entram em operação as duas primeiras fábricas brasileiras de etanol de segunda geração, que utilizam a celulose como matéria-prima. No caso, bagaço e palha de cana-de-açúcar. A primeira a entrar em operação é uma unidade da GranBio em São Miguel dos Campos, em Alagoas, com capacidade para 82 milhões de litros anuais. No momento a unidade, orçada em R$ 350 milhões, está em fase de testes, e a previsão é que entre em operação ainda no primeiro semestre.
 
A segunda fábrica, orçada em R$ 230 milhões, é da Raízen e está sendo erguida em Piracicaba, no interior paulista, ao lado da Usina Costa Pinto, que pertence ao grupo. A nova unidade terá capacidade para produzir 40 milhões de litros por ano e a previsão é que entre em operação no fim do ano. Evandro Curtolo da Cruz, gerente de novas tecnologias da Raízen, informa que a companhia tem planos de erguer mais sete fábricas de etanol celulósico até 2024, todas próximas de usinas convencionais já existentes para facilitar a logística da palha e do bagaço. "A ideia é aumentar a produtividade, sem aumentar a área cultivada, aproveitando 100% da matéria-prima já existente", diz Curtolo.
 
Na GranBio os planos são de expandir a produção de etanol de segunda geração para um bilhão de litros por ano até 2020, por meio de associações com usinas convencionais para o aproveitamento do bagaço e da palha, e também com o desenvolvimento de uma nova variedade de cana-de-açúcar, com maior potencial energético, batizada pela companhia de cana-energia, que tem seu primeiro plantio programado para 2015. A empresa inaugurou em 2013 uma estação experimental para o desenvolvimento de biomassas para a produção de combustíveis.
 
O Brasil não é pioneiro em etanol de segunda geração. Nos EUA já há cinco unidades em operação, utilizando biomassa proveniente de resíduos do milho, e a previsão é chegar a oito ou dez em 2016.
 
Ricardo Blandy, líder de operações em biomassa da Novozymes para a América Latina, acredita que a conjuntura pode retardar os investimentos em usinas de etanol de segunda geração, mas ele prevê um futuro promissor para a tecnologia. "O etanol celulósico já é mais competitivo que o convencional", afirma. Blandy afirma que depois de descontados os investimentos iniciais, o custo de produção de um litro de etanol convencional, em média, está entre R$ 1,00 e R$ 1,10 em São Paulo, e o celulósico, próximo de R$ 0,90 por litro.
 
Segundo Blandy, o Brasil poderá dobrar sua produção de etanol, sem aumentar a área plantada, apenas aproveitando o bagaço e a palha. Mas essas não são as únicas matérias-primas que estão sendo avaliadas. O uso da fibra de eucalipto também está no radar. Eugênio Ulian, vice-presidente da FuturaGene, empresa de biotecnologia adquirida pelo grupo Suzano em 2010, diz que a empresa trabalha para aprimorar geneticamente a produtividade do eucalipto, de forma a obter mais biomassa e mais rapidamente.
 
A Fibria desenvolve, em parceria com a Ensyn, tecnologia para o aproveitamento do eucalipto para a produção de combustíveis, um biooleo. Marcelo Castelli, presidente da Fibria, diz que até o final do ano o conselho de administração da companhia decide sobre uma proposta para a construção de uma fábrica de biocombustível em Aracruz, no Espírito Santo.
 
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