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"Não sei dizer ao certo qual é o valor global, mas o endividamento do setor é muito alto, tanto que na média chega a ser do tamanho do faturamento", diz a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina. Entretanto, avaliação do Itaú BBA mostra, que na safra 2013/2014, a receita caiu e as dívidas tiveram alta de 8%, sendo assim, o endividamento já supera o índice de recursos gerados pelo segmento canavieiro.
 
Durante entrevista exclusiva ao DCI, Farina conta que pelo menos 30% das usinas destinam R$ 30 por tonelada da produção apenas para o serviço da dívida - referência à totalidade dos pagamentos que o devedor faz para pagar os juros e amortizações de um empréstimo.
 
A presidente da Unica explica que as dívidas são a grande limitação dos investimentos no setor e desencadeiam problemas com capital de giro nas usinas. Neste contexto, é crescente o número de usinas que entram em recuperação judicial ou encerram suas atividades. "Pelo menos dez vão fechar", diz.
 
Outras 30 empresas encontram-se em situação financeira desfavorável. "O endividamento pesa fortemente sobre a capacidade de investimentos novos e na melhora dos que já estão ativos. É um entrave para renovação dos canaviais, elemento essencial para manter competitividade no mercado, e tudo isso resulta em problemas de caixa", enfatiza.
 
Questionada sobre as previsões para destinação da cana-de-açúcar para a próxima safra, a presidente ainda aposta no aumento da produção de etanol.
 
"Estima-se uma melhora para os preços do açúcar a partir do ano que vem, mas mesmo assim esperamos uma safra mais alcooleira. Quando se fala em mudança de preços é preciso lembrar que açúcar é contrato e muitas vezes você não recebe à vista. No etanol, você vende e já recebe dinheiro. O problema de geração de caixa é muito importante para várias usinas, que chegam a optar pela produção do biocombustível em função da remuneração imediata", avalia.
 
Na última semana, o presidente da Datagro, Plínio Nastari, alertou para a sinalização de queda nos estoques mundiais de açúcar. Segundo a consultoria, o déficit global para a safra 2014/2015 subiu para 2,46 milhões de toneladas, contra projeção anterior de 1,61 milhão de toneladas.
 
Saída
Em entrevista recente à Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), o ex-ministro Roberto Rodrigues, que assumiu o cargo de presidente do conselho deliberativo da Unica, traçou um plano de prioridades para a recuperação do segmento sucroenergético.
 
Para Rodrigues, o primordial é encontrar um grande projeto de saneamento ao setor. Algo na linha do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer) que atuou na recuperação dos bancos em meados dos anos 90.
 
Em relação à questão tributária, seria necessário a recuperação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), harmonização do ICMS entre os estados e debate sobre a desoneração do PIS/Cofins.
 
"É fundamental ainda ampliar os mecanismos de comunicação do setor com o conjunto da sociedade e principalmente com o parlamento. Precisamos mostrar para a sociedade que a defesa do segmento é positiva não apenas para ele, mas para todos os brasileiros, seja do ponto de vista dos benefícios ambientais, com a mitigação da emissão de CO2; da geração de emprego e renda pelas empresas do setor; ou da redução das importações de petróleo, que impacta favoravelmente na balança comercial", afirmou.
 
Rodrigues ainda destacou a recomposição do equilíbrio entre os preços da gasolina e etanol, de modo que atendesse a média dos valores da gasolina no mercado internacional, fundamental. "É importante promover uma grande aproximação entre os diferentes elos da cadeia", completa.
 
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