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Caipirinhas de graça nos aeroportos, para turistas, são apenas o aperitivo de uma estratégia de vendas internacional. A Copa 2014 é uma janela de marketing mundial para a cachaça, produto 100% brasileiro. Até quem não exporta discute o que fazer no pós-Mundial: se vai apostar nas vendas para o exterior e em que mercados. O Brasil só exporta 1% da produção nacional. Pernambuco, Paraíba, Ceará, São Paulo e Minas Gerais são os principais fabricantes.
 
O primeiro grande representante internacional do setor foi a Pitú, que fez a produção de Vitória de Santo Antão desbravar a Europa dos anos 70. Com o pioneirismo da empresa, a Alemanha virou mercado cativo, destino de 29,58% das exportações do Brasil, ano passado, e de quase 78% da estadual, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
 
“Nossas exportações vão muito bem. Mas também aproveitamos a Copa, que dá ao País grande visibilidade, para fazer várias ações. Por exemplo, oferecemos degustação de caipirinha no desembarque internacional de São Paulo e Rio de Janeiro. No Recife, mesmo estrangeiros vêm pelo desembarque nacional, onde também oferecemos a degustação”, diz Alexandre Ferrer, diretor comercial da Pitú.
 
Embora a principal base estrangeira da marca seja a Alemanha, de onde ela é distribuída para outros países europeus, a Pitú também chega diretamente, embora em volumes muito menores, ao Chile, México, Holanda, Portugal e Estados Unidos, só para ficar em participantes da Copa. Atualmente, porém, o mercado mais promissor é o americano, embora tenha recebido só 7,64% da exportação brasileira e menos de 4% da pernambucana em 2013.
 
“A taxa de crescimento para os EUA é alta. Em valor, acredito que eles devem superar a Alemanha nos próximos dois anos”, conta Vicente Bastos Ribeiro, presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac).
 
Um limitador desse mercado foi resolvido em abril do ano passado, quando os EUA reconheceram a cachaça como bebida específica, em lugar da classificação genérica “rum brasileiro”.
 
Isso oficializou no país a caipirinha, pronunciada com “r” acentuado pelos gringos, como um “drink” à base de cachaça. “Do momento em que foi reconhecido o produto, vamos trabalhar a marca e o nome da bebida”, diz Ferrer. “Os EUA são o maior mercado de destilados do planeta. É o país do coquetel. E lá o Brasil agora é moda. Nosso sucesso só depende de organizar o setor”, conta Vicente.
 
É preciso encarar, por exemplo, a informalidade. Segundo o Ibrac, são 2 mil produtores registrados, com 4 mil marcas e uma capacidade de produção de 1,2 bilhão de litros por ano. Mas um terço dela está ociosa. É a concorrência: somando os informais, estima-se haver 40 mil fabricantes no País.
 
O resultado é o desafio para atingir padrões de conformidade e qualidade, a fim de consolidar cada segmento – comercial (de grande escala), artesanal e premium. “A tequila já fez isso há 20 anos. Entrou com a bebida mais básica, ganhou mercado e depois se estabeleceu até com a tequila superpremium, 100% agave. É a tequila shot, para ser bebida pura”, explica.
 
Do Jack Daniel’s para Santa Dose
A cachaça ainda tem muito chão pela frente, na marcha rumo às exportações. Mas o mercado interno, mais sofisticado, já atrai investidores estrangeiros. Em Pernambuco, a gigante americana Brown-Forman, dona do bourbon Jack Daniel’s e outros produtos de alta qualidade, comprou da Cachaçaria Carvalheira a Santa Dose, bebida que faz sucesso entre os jovens, uma mistura de cachaça, mel e limão.
 
Os detalhes do negócio não são divulgados. Cristiano Lumack, diretor comercial da Carvalheira, fala da venda em termos gerais. A Santa Dose nasceu em março de 2009 e rapidamente ganhou espaço no Rio de Janeiro, São Paulo e Recife, associada a eventos para o público jovem e com ações nas redes sociais.
 
Em janeiro de 2013, a bebida entrou no portfólio da Brown-Forman, em um acordo para distribuição da Santa Dose.
“O contrato previa opção de compra ao final de 15 meses. O prazo se esgotou em abril passado, quando a Brown-Forman decidiu pela compra”, comenta Cristiano.
 
Agora a Carvalheira vai retomar a produção da marca que leva o nome da empresa. Famosa pelo produto envelhecido em barris de carvalho, com infusões de frutas e ervas, hoje a cachaça Carvalheira ocupa só 10% da capacidade de produção. “Nos últimos oito anos focamos em eventos e na Santa Dose. Agora estamos desenvolvendo um novo produto, uma embalagem mais sofisticada”, diz ele.
 
“Estamos otimistas. Depois das Olimpíadas de Inverno, a Rússia teve aumento na exportação de Vodka. A tendência é ocorrer o mesmo com a cachaça após a Copa e as Olimpíadas. Queremos exportar e focar nos EUA”, argumenta.
 
INTERIOR
Em Triunfo, sertão do Pajeú, está a pequena produção do rótulo Triunpho, de 25 mil litros por ano, uma cachaça artesanal premiada na Europa.
 
O proprietário da empresa, Pedro Gomes de Oliveira Júnior, investiu em certificação de produto orgânico, sem agrotóxicos, para a cachaça e desenvolveu um licor de cana-de-açúcar.
 
“Queremos valorizar a nossa marca e a qualidade”, afirma. Pedro Gomes diz já ter exportado para a Alemanha. Mas apesar do reconhecimento por títulos na Europa, vê dificuldades para os pequenos chegarem ao exterior. “Por isso preferimos focar no mercado em que já nos consolidamos”, afirma.


Fonte: AFCP

 
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