Cientistas defendem parcerias para que biotecnologia avance no Brasil

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Cientistas defendem parcerias para que biotecnologia avance no Brasil
Fonte da imagem: biotecnologiaedesenvolvimento.blogspot.com
Um projeto que une esforços da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Unicamp caminha de forma acelerada para originar novas cultivares transgênicas totalmente desenvolvidas no país. Firmada em 2012, a parceria conta com o trabalho de cerca de 15 cientistas das duas instituições e pretende divulgar os primeiros resultados em até cinco anos. "Definimos uma agenda para a criação no Brasil de um pipeline de geração de ativos de base biológica, que nos permitirá desenvolver novas plantas geneticamente modificadas", disse Maurício Lopes, presidente da Embrapa, durante seminário "Biotecnologia e Inovação", realizado ontem pelo Valor em São Paulo (SP). O evento teve o apoio do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).
Segundo Lopes, as pesquisas estão focadas no enfrentamento das mudanças climáticas. "De início, estamos buscando identificar novos genes e novas funções biológicas, para saber como as plantas respondem a pressões vindas do ambiente, como seca ou frio intensos", explicou. Ele não disse o valor investido na iniciativa, mas revelou que o milho está sendo utilizado como planta-teste. "Estamos lançando mão de todas as bases de dados genômicas disponíveis, no Brasil e no mundo".
A adoção de biotecnologias para mitigar os efeitos das mudanças climáticas pode ter papel fundamental para a agricultura mundial nos próximos anos. Estudo realizado pelo International Food Policy Research Institute (IFPRI) indicou que variedades tolerantes à seca, ao calor e mais eficientes no uso de nitrogênio terão papel crucial na redução de preços de produtos agrícolas no futuro. "Estimamos que essas tecnologias possam ajudar a reduzir em 15% o preço do milho, 20% o do arroz e quase 15% o do trigo até 2050", disse Nicola Cenacchi, pesquisador do IFPRI, também no evento do Valor.
Mas, para que a biotecnologia avance no Brasil, é fundamental estabelecer mais parcerias, reforçou o diretor-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz. Esse movimento, disse, terá de envolver entidades públicas e empresas privadas de maior e menor porte. "Os brasileiros acham que quando o público se relaciona com o privado é para fazer coisa ruim. Isso trava tudo. É impossível fazer o país progredir sem um bom grau de relacionamento desses dois lados".
Exemplo da união de trabalhos entre público e privado no setor agrícola é a Cultivance, variedade de soja tolerante a herbicidas lançada em 2009 pela Embrapa, em parceria com a alemã Basf. A expectativa, porém, é que a cultivar esteja disponível aos agricultores apenas na safra 2015/16, devido à demora no aval por parte de países importadores.
Nesse sentido, a sincronia para a aprovação de cultivares transgênicas em parceiros comerciais do Brasil tem suscitado esforços crescentes do Itamaraty, conforme Orlando Ribeiro, chefe da Divisão de Agricultura e Produtos de Base do Ministério das Relações Exteriores. Durante o seminário, Ribeiro disse que os trâmites mais longos para a aprovação de cultivares transgênicas por importadores de produtos brasileiros (especialmente grãos), como China e União Europeia, preocupam.
"A Intacta RR2 [da Monsanto], por exemplo, recebeu aprovação no Brasil em 2010, mas somente em junho de 2013 foi liberada pela China", lembrou. O ministro lembrou também que ainda está pendente a aprovação do milho MIR 162, da Syngenta, pelos chineses. "O Brasil conseguiu recentemente a aprovação para vender milho à China, mas ainda não fazemos isso por conta da dificuldade de segregação dessa variedade transgênica com outras aqui no país", explicou Ribeiro.
Ele disse que diversos países, junto com a FAO (braço das Nações Unidas para agricultura e alimentação), discutem a questão da identificação de carregamentos com grãos transgênicos enviados a países onde certas cultivares não estão aprovadas. Contudo, nenhum acordo foi definido até agora. "A última reunião desse grupo foi em março e estamos na fase de tentar entender como lidar com o tema", afirmou.
Fonte: Valor Econômico
 
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