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As chuvas de fevereiro e março facilitaram o aumento da produção da cana, que passou de 411 para 444 milhões de toneladas este ano. O El Niño de 2015, que é semelhante ao de 1997 em termos de intensidade, é preocupante uma vez que, em 1999, ou seja, dois anos depois do registro do aquecimento do Pacífico, o tempo começou a ficar extremamente seco, explicou o presidente da Datagro, Plínio Nastari.

O consumo de etanol anidro desvalorizou 10,7% em comparação com o mesmo período do ano passado. O Centro Sul do país registrou, até o dia 1º de outubro, 23,7 dias perdidos por conta da chuva, ante 15,4 em setembro. Esse atraso na produção se materializou com mais força em SP, que decaiu 15,2%. "O etanol segue mais competitivo em seis estados, com destaque para o consumo do hidratado em Minas Gerais que, em 2015, foi de 180 milhões de litros", diz Plínio.

De acordo com Plínio, a Datagro prevê que a participação do etanol no mercado interno atinja 42% até o final deste ano. Sobre as exportações, a safra 2014/2015 exportou 1,3 bilhões de litros do biocombustível, ao passo que as expectativas para a safra 2015/2016 é de 1,8 bilhões de litros do produto. Uma das razões para este aumento do consumo consiste nas mudanças implantadas no regime do ICMS, como pontuou o presidente da consultoria.

A realocação do Low Card Few Standards, na Califórnia, traz uma recompensa no prêmio para o etanol de carbono. Isto acarretou no aumento do valor do produto exportado do Brasil para o estado norte-americano. Em meses de consumo, o estoque do combustível, até o último dia 30, foi de 3,8 meses. Em 2014, este valor era de 5,1. "Isto mostra que havia a necessidade de subir o preço para controlar o consumo, como passou a ocorrer na última semana", ressalta Plínio.

O consumo doméstico de açúcar na região Centro Sul deve cair, na safra 2015/2016, 2,5%, ao passo que o Norte-Nordeste terá declínio de 3%. O excedente exportável do produto subirá de 23,29 para 23,66 milhões de toneladas.

Em 2016, segundo a Datagro, a exportação do etanol será na casa dos 240 milhões de galões, o que equivale a, aproximadamente, 908 milhões de litros. "O etanol também ajuda na geração de emprego, sendo 1,1 milhão diretos e 2,5 milhões de indiretos, bem como atua como efeito multiplicador da economia. O consumo do produto também é responsável por reduzir a importação da gasolina. São 127 milhões de barris equivalentes por ano", comenta.

Em relação às exportações do etanol, no Centro Sul e Norte-Nordeste, a moagem da cana será de 604,65 e 59,18 milhões de toneladas, respectivamente. Em relação à safra anterior, a valorização atinge 2,8%. No Brasil, a produção do biocombustível passou de 28,16 para 30,45 milhões de litros.

Para finalizar, o presidente da consultoria da área agrícola destacou que o ponto de inflexão da crise acabou, tendo em vista que mercado mundial segue em recuperação, além da competitividade do Brasil ter melhorado por conta da alta do dólar aliada a ajuda do clima e redução da safra nos EUA e China.

Nicole Ongaratto
Fonte: Agência IN - Investimentos e Notícias
 
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