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O álcool zerou a vantagem que tem em relação à gasolina na cidade de São Paulo. Pela primeira vez, desde maio de 2014, o preço do etanol chega a 70% em relação ao da gasolina.
Pesquisas indicam que, quando o percentual do preço do etanol está acima de 70% em relação ao da gasolina, é mais vantajosa a utilização desse último. Esse percentual depende, no entanto, do modelo do veículo.
A perda de vantagem do álcool chega mais cedo nesta safra do que nos anos anteriores. Até setembro, essa paridade estava em apenas 62%.
A aceleração dos preços pode se acentuar ainda mais a partir da próxima semana, devido à greve dos petroleiros, que já provoca redução da produção de petróleo.
Além disso, a anunciada greve dos caminhoneiros será mais um fator de pressão, devido às dificuldades de escoamento do produto.
Após muitos meses com preços defasados, o etanol começa a pressionar a inflação, tendência que deverá continuar com novos reajustes do combustível.
Neste ano não deveria ocorrer uma alta de preços do etanol tão cedo. O volume de cana a ser moído será de 600 milhões de toneladas, com as torneiras das usinas voltadas para a produção de etanol. Desse volume, 59% serão para a produção de álcool.
O ano, no entanto, foi marcado por uma série de fatores favoráveis ao consumo.

Tributação
No início de 2015, o governo mudou a tributação da gasolina, abrindo espaço para uma pequena recuperação dos preços do etanol.
No final de setembro, a alta de 6% para a gasolina ampliou ainda mais a competitividade do derivado de cana.
O grande impulso ao consumo veio de mudanças tributárias dos combustíveis em vários Estados.
Minas Gerais elevou a tributação da gasolina e diminui a do etanol. O resultado foi uma explosão no consumo no Estado, que até então tinha pouca atração para o etanol.
Paraná e Goiás seguiram na mesma linha, elevando os custos da gasolina.
O resultado foi que o consumo médio saiu de 1 bilhão de litros por mês para 1,5 bilhão. Em alguns meses, a demanda pelo etanol bateu no 1,6 bilhão de litros, quase o dobro do volume de alguns meses de 2014.
A aceleração da demanda e problemas na produção, devido a chuvas, foram o estopim para a alta de preços.
A demanda ocorreu, ainda, devido aos preços favoráveis do produto na porta das usinas. Até setembro, o litro do álcool pago ao produtor era de R$ 1,20 por litro.
A perda de paridade do etanol, em relação à gasolina, não deve afugentar o consumidor do derivado de cana, de acordo com Antonio de Padua Rodrigues, diretor da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

Preços
Atualmente, o preço do litro da gasolina supera em R$ 1 o do etanol nas bombas. Essa diferença, em reais, vai pesar na hora de abastecer.
O valor médio da gasolina esteve em R$ 3,396 na cidade de São Paulo nesta semana. Já o do etanol subiu para R$ 2,367, em média.
Os dados são da Folha, que pesquisa preços em 50 postos da cidade de São Paulo. O maior valor registrado pela pesquisa foi de R$ 3,799 para a gasolina e de R$ 2,499 para o etanol.
*Texto extraído do Portal da coluna Vaivém das Commodities.
07/11/15
Mauro Zafalon
Fonte: Folha de S. Paulo
 
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