Agrônomo brasileiro recebe verba de Bill Gates para fita semente

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Agrônomo brasileiro recebe verba de Bill Gates para fita semente
Mateus Marrafon (dir.) com representante da fundação de Bill Gates
Um projeto capaz de aumentar em 50% a produtividade da agricultura familiar, desenvolvido por um engenheiro agrônomo brasileiro, conseguiu financiamento de US$ 100 mil da Fundação Bill & Melinda Gates, mantida pelo fundador da Microsoft, Bill Gates. 
O inventor selecionado pela fundação é Mateus Marrafon, 29, engenheiro agrônomo que vive em Iracemápolis, a 157 quilômetros de São Paulo. 
Ele criou uma fita biodegradável feita com celulose --um material feito de fibras extraídas de plantas--, onde ficam as sementes e também nutrientes, que servem de adubo. O agricultor enterra essa fita, que se desintegra sozinha, e as sementes se transformam nas plantas, com a ajuda dos nutrientes.
O projeto foi escolhido entre 2.700 ideias inscritas no mundo todo. De acordo com a avaliação da entidade, o financiamento pode ser ampliado para até US$ 1 milhão.

Fita põe sementes na distância certa e protege contra pragas


A vantagem da fita é permitir que as sementes fiquem na distância mais indicada umas das outras. Com isso, o pequeno agricultor pode otimizar a plantação, aproveitando o espaço da maneira mais eficiente.
"Além de barato, o material contém micronutrientes, preserva a umidade e protege contra pragas. E ainda é possível inserir sementes de culturas diferentes no meio do plantio principal, diversificando e dobrando a produção", informou o engenheiro agrônomo.
Marrafon disse ainda que a técnica é de baixo custo, sendo que o plantio pode ser feito manualmente, o que beneficia agricultores de pequeno porte.
"As sementes ficam no lugar certo, no espaço ideal. Já os nutrientes ajudam no desenvolvimento da planta e aumentam a taxa de sucesso do cultivo", afirmou. Cada metro de fita custa R$ 0,30. "Isso é acessível para qualquer pessoa."

Produtor pode misturar plantas na cultura principal

O pesquisador conta que a fita foi projetada para ser usada com qualquer tipo de semente. "Uma coisa muito interessante é que, quando pensamos em agricultura familiar, os produtores não tem um técnico presente para instruir sobre como fazer o plantio ideal. A fita é adaptada para cada região e já vai com o tratamento de semente, micronutrientes e espaçamento", informa.
Ainda segundo Marrafon, além da cultura principal, outras plantas, secundárias, também podem ser inseridas de forma a aproveitar ainda mais o solo.
"Podemos, por exemplo, colocar milho como cultura principal e de forma aleatória a fita pode conter sementes de pepino, abobora, melancia e melão, culturas que não interferem no desenvolvimento do milho e, assim, proporcionar uma maior variedade de alimento para o pequeno agricultor", informa.

Testes com a fita serão feitos no Brasil e na África

Com os recursos do financiamento, Marrafon afirma que o foco de sua pesquisa será a construção de uma máquina para produzir as fitas em grande escala, além de testes de campo com o material no Brasil e África.
"Pelo menos metade dos testes serão no continente africano", disse. "Com a fita, qualquer pessoa pode ser um pequeno agricultor e, na África, onde a incidência de fome é maior, isso pode ajudar as pessoas."
Ele informou ainda que a ideia nasceu em Iracemápolis, na propriedade de sua mãe, que é pequena produtora rural.

"Percebi a dificuldade para encontrar o espaço correto e, na faculdade, comecei a trabalhar esse sistema", disse. O projeto foi finalizado em 2008 e, desde então, ele procura parceiros para apoiar o projeto. "Estava quase desistindo quando fui selecionado".

Fonte: UOL Economia 


Fonte: Uol Economia

 
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